O prazer, o homem e seu ambiente

A diferença entre prazer e felicidade pode parecer quase imperceptível para o homem comum, mas para um sábio existe um abismo entre ambas.

Para aquele que está curtindo o prazer, é muito difícil entender o significado real da palavra felicidade, pois ele ainda está muito apegado aos falsos tesouros, que ofuscam e turvam sua vista. O brilho dos bens materiais dificulta olhar para dentro, mais difícil ainda é virar para o lado e enxergar os menos favorecidos, com quem deve compartilhar uma parte do que possui.

Jesus já chamava a nossa atenção há dois mil anos atrás, quando falou sobre a dificuldade do rico (metáfora para o homem que possui muitos benefícios materiais) entrar no reino dos céus.

O homem que vive somente para o prazer se vincula aos desejos, sensações, bens e pensamentos transitórios, irreais, ilusórios, e um dia eles acabarão ou o próprio dono se cansará, pois tudo que não é real para o espírito um dia perde a graça.

Os tesouros materiais são finitos e não perduram após a morte, já os tesouros da alma são intocáveis, é impossível roubar suas conquistas espirituais, elas não pesam, não causam angústia ou apego e sem fazer o menor esforço é levada junto com o espírito, inclusive após a morte do corpo físico.

Copio agora uma passagem do livro O Profeta, de Khalil Gibran, sugiro repetir a leitura mais de uma vez, pois isso não é um texto, é uma viagem!

Então um eremita que visitava a cidade uma vez por ano, avançou e disse, Fala-nos do Prazer.
E ele respondeu, dizendo:
O prazer é uma canção de liberdade, mas não é a liberdade.
É o desabrochar dos vossos desejos, mas não são os seus frutos.
É um chamamento profundo para as alturas, mas não é profundo nem alto.
É o encarcerado a ganhar asas, mas não é o espaço que o circunda.
Sim, na verdade, o prazer é uma canção de liberdade.
E bem gostaria que a cantásseis com todo o vosso coração;
No entanto, não percais os vossos corações nos cânticos.
Alguma da vossa juventude procura o prazer como se isso fosse tudo, e esses são julgados e punidos.
Eu não os julgaria nem puniria.
Gostaria que empreendessem a busca.
Pois eles encontrarão prazer, mas não só.
Sete são as suas irmãs, e a mais insignificante delas é mais bela que o prazer.
Nunca ouviram a história do homem que cavava a terra para encontrar raízes e descobriu um tesouro?
E alguns de vós, mais velhos, recordam os prazeres com remorsos.
Como erros cometidos quando estavam bêbedos.
Mas o remorso só obscurece o espírito e não o castiga.
Deveriam lembrar-se dos prazeres com gratidão, tal como fariam após uma colheita no verão.
No entanto, se os conforta sentir o remorso, deixai-os confortarem-se.
E há entre vós aqueles que não são nem suficientemente jovens para
empreender a busca, nem suficientemente velhos para se lembrarem;
E no medo deles de procurarem e se lembrarem, conseguem afastar todos os prazeres, a menos que negligenciem o espírito.
Mas até na antecipação reside o seu prazer.
E assim também eles encontram um tesouro, embora procurem as raízes com mãos trémulas.
Mas dizei-me, quem pode ofender o espírito?
Será que o rouxinol consegue ofender a quietude da noite ou o brilho das estrelas?
E as vossas chamas ou fumo conseguem carregar o vento?
Pensais que o espírito é um lago imóvel que podeis perturbar?
Muitas vezes ao negardes a vós mesmos o prazer, estais a ocultar o desejo nos recônditos do vosso ser.
Quem sabe que o que parece ser omitido hoje espera por amanhã?
Até o vosso corpo conhece a sua herança e as suas necessidades e não sairá desiludido.
E o vosso corpo é a harpa da vossa alma, e é a vós que compete extrair dela uma doce melodia ou sons confusos.
E no vosso coração, perguntais,
"Como distinguiremos o que é bom no prazer do que não é?"
Ide para os vossos campos e jardins e aprendereis que o prazer da abelha consiste em retirar o mel da flor.
Mas também a flor tem prazer em dar o seu mel à abelha.
Pois para a abelha a flor é uma fonte de vida.
E para a flor a abelha é mensageira de amor.
E, para ambas, abelha e flor, o dar e o receber de prazer é uma necessidade e um êxtase.
Povo de Orfalés, olhai para os vossos prazeres como as abelhas e as flores.

O sofrimento que vivemos e as angústias que passamos estão fortemente ligados a nossa errônea interpretação do sentido real da palavra felicidade, confundimos paixão e egoísmo com amor, prazer com felicidade, trocas e favores com fé e fidelidade.

A conquista do discernimento entre o real e o irreal faz parte da evolução espiritual, é um dos vários objetivos da sua jornada, os livros poderão falar sobre os tesouros dos céus e os mestres poderão mostrar-lhe o caminho, mas somente nos momentos de solidão e reflexão é que o viajante poderá realmente entender as diferenças, para então compreender o que é bom para o seu espírito e o que não é.

As grandes verdades espirituais somente atingem o espírito no momento que são vivenciadas, antes desse estágio são pensamentos, desejos, mas, no momento em que o eu superior assimila a verdade então os veículos superiores (acima do mental inferior) vibram em cores brilhantes, entoando o cântico de agradecimento ao senhor da vida. Nada que existe na Terra pode comprar esse tesouro, somente através do trabalho interior é possível obter o direito de adquiri-lo.

O Homem e seu Ambiente

Somos incessantemente bombardeados por energias vindas de vários pontos do Universo, o homem encarnado recebe o impacto dessas energias em diversos planos (físico-etérico, emocional, mental).

Essas energias não influenciam somente os homens, as forças que circulam no Universo alcançam todas as centelhas da criação, em todos os planos da vida.

O espírito encarnado recebe estes estímulos externos e atrai para si situações, provas e reajustes que tem como único objetivo o seu aperfeiçoamento. Os astrólogos conseguem alcançar uma parte dessas influências quando cruzam as informações astrológicas do nascimento e do ano atual. Não estamos falando sobre adivinhação, somente mostrando que existe uma programação para o espírito encarnado, embora ela seja flexível e modificável.

"É possivel viver a vida toda sem estar acordado..."
do filme Poder Além da Vida – Peaceful Warrior

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